Há dez anos, encontrar um cartucho de Super Nintendo ou Sega Mega Drive numa venda de garagem por cinco euros era uma ocorrência banal. Os videojogos eram vistos estritamente como brinquedos tecnológicos cujo valor despencava assim que uma consola de nova geração chegava ao mercado.
Hoje, as métricas subverteram completamente a lógica do entretenimento. Em 2021, uma cópia lacrada de Super Mario 64 foi arrematada em leilão pela Heritage Auctions por 1,56 milhões de dólares. Dias antes, uma cópia de The Legend of Zelda do NES original fora vendida por 870 mil dólares. O que causou esta explosão absurda e como podem os colecionadores comuns navegar e lucrar com este mercado especulativo?
Índice de Valorização (Jogos Selados vs S&P 500)
Crescimento comparativo (2015-2025) de jogos com Grading superior a 9.0.
A Ditadura do CIB (Complete In Box) e o Grading
Ao analisar o gráfico acima, fica claro que nem todo o jogo valorizou de igual forma. A enorme discrepância de preços baseia-se num princípio de escassez brutal relacionado com o papelão.
Até a geração da PlayStation 1 e GameCube, os jogos da Nintendo e Sega vinham embalados em caixas de papelão muito finas. As crianças (e os pais) abriam os jogos no Natal, guardavam o cartucho indestrutível de plástico na gaveta e atiravam as caixas de papelão e os manuais de instruções para o lixo. Consequentemente, enquanto existem milhões de cartuchos do Super Mario World a circular (Loose), cidades inteiras podem não ter uma única cópia CIB (Completa na Caixa com berço e manuais intactos).
O advento de empresas de Grading (como a WATA Games e a VGA) que encapsulam os jogos selados em acrílico e os pontuam matematicamente atraiu investidores de Wall Street e de arte, que não jogam os jogos, mas veem-nos como pedaços de "Arte Pop" cristalizados no tempo.
O Ciclo de Nostalgia de 20 Anos
A valorização não é aleatória; ela segue o relógio biológico humano. O poder de compra atinge o seu pico quando as pessoas chegam aos 30 e 40 anos. É nesse momento que o indivíduo procura recuperar (comprando) as memórias da sua infância.
- O Boom de 2010 a 2015: Liderado pela geração do NES e SNES (nascidos nos anos 80). Os jogos de 16-bits sofreram inflações massivas.
- A Explosão Atual (2020 a 2026): Focada na Nintendo 64, PlayStation 2 e GameCube. A geração que cresceu no final dos anos 90 e inícios de 2000 agora tem dinheiro para gastar em leilões. Cópias de Silent Hill ou Zelda Wind Waker dispararam.
- A Próxima Onda (Atenção Investidores): A geração PS3, Xbox 360 e Wii U. Comece a guardar as suas cópias de edição limitada e jogos em caixas intactas desta era.
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