Investimento em TCG

A alquimia do Grading: O que é a PSA e como ela multiplica o valor das cartas?

Uma análise profunda sobre a escala 1 a 10 que transformou cartolina impressa em ativos financeiros negociados como ações da bolsa.

EC

Equipe Colecionar

Leitura: 5 min

Durante a pandemia de 2020, o mundo assistiu incrédulo a um fenómeno bizarro: cartas de Pokémon da infância, guardadas em caixas de sapatos, começaram a ser leiloadas por centenas de milhares de dólares. O auge foi atingido quando o Youtuber Logan Paul apareceu num ringue de boxe usando uma carta do Charizard avaliada em mais de 5 milhões de dólares ao pescoço.

Mas havia um detalhe visual partilhado por todas essas cartas de valor astronómico: elas não estavam soltas. Estavam seladas dentro de grossas caixas de acrílico inquebrável, com um rótulo de código de barras vermelho no topo ostentando um número mágico: "GEM MT 10". Este processo de selagem e avaliação chama-se Grading, e a empresa rainha deste mercado é a PSA (Professional Sports Authenticator).

Os 4 Pilares da Perfeição

Enviar uma carta para a PSA (ou para as suas rivais diretas CGC e BGS) não é apenas colocá-la num envelope. É submeter a carta a um exame microscópico por humanos e luzes de alta intensidade. Ao abrir um booster (pacotinho) recém-comprado da loja, você assume que a carta que saiu de lá de dentro é perfeita e merece um 10. Errado. A qualidade de impressão das fábricas muitas vezes é péssima. A PSA julga quatro elementos críticos:

1. Centering (Centralização)

O pior pesadelo das fábricas. A máquina cortou a carta perfeitamente ao meio? Se a margem amarela ou azul (border) de um lado for visivelmente mais grossa que a do outro lado, a carta nunca receberá um 10, mesmo que tenha saído do pacote há cinco segundos. A proporção ideal para um 10 é de 50/50 até 60/40 de centralização na frente e verso.

2. Corners (Cantos)

Os quatro cantos da carta são inspecionados sob a lupa. Qualquer pontinho de dobra, leve descascar da tinta ou presença de amassos na lâmina do papel destrói a nota da carta. Os cantos devem ser simétricos, arredondados sem pontas soltas (fraying) do corte naval da máquina impressora.

3. Edges (Bordas)

O famoso "Whitening" ou "Silvering". Muitas vezes, ao passar a carta pelas mãos ou inseri-la de forma negligente num álbum (binder), as laterais batem, descascando a tinta da borda e revelando a cartolina branca/prateada por baixo. Cartas vintage de fundo negro ou holográfico sofrem terrivelmente de whitening, tornando-se raríssimas em estados perfeitos.

4. Surface (Superfície)

A folha holográfica (Foil) esconde segredos. Sob iluminação halógena, a PSA procura "Print Lines" (linhas retas de erro da máquina impressora), micro-arranhões cruzados (scratches) de se esfregar contra outras cartas, manchas de gordura dos dedos, "Dents" (pequenos furos/mordidas de pressão) ou marcas de água.

A Diferença Financeira entre o 9 e o 10

É aqui que os especuladores e investidores fazem fortunas. Devido à extrema dificuldade em conseguir que uma carta passe limpa por todos os 4 critérios mencionados acima, a População (quantidade de cartas no mundo que receberam a nota 10) é ínfima.

Peguemos o exemplo real de um Charizard Holográfico do Base Set Set (Edição Ilimitada) de 1999:

  • Condição Raw (Solta, sem proteção): Cerca de R$ 800 a R$ 1.500 dependendo do estado.
  • Nota PSA 8 (Near Mint-Mint): A carta parece perfeita a olho nu. Valor de mercado: R$ 3.000.
  • Nota PSA 9 (Mint): Apenas um microscópico ponto branco na traseira ou uma leve descentralização de 60/40. Valor de mercado: R$ 6.500.
  • Nota PSA 10 (Gem Mint): A joia da coroa. Sem defeitos de fábrica. Perfeita sob a lupa. Apenas alguns milhares existem no mundo. Valor de mercado: R$ 45.000 a R$ 60.000.

Como podem ver, o salto do 9 para o 10 cria um multiplicador de valor irracional (praticamente 10x mais valioso). Esse é o poder de mercado que a PSA construiu. Eles definem a perfeição e o mercado pago um prémio (premium) astronómico por ela.

Como enviar e proteger antes do Grading

Nunca envie uma carta numa sleeve fina normal ou num Toploader rígido sem cuidado. A própria empresa PSA exige um formato oficial de submissão para não danificar o item durante a extração:

  1. Insira a carta cuidadosamente numa Penny Sleeve (aquelas sleeves molinhas e transparentes).
  2. Deslize a carta já protegida dentro de um Card Saver 1 (ou semi-rígido). É uma proteção plástica flexível, mas firme o suficiente para evitar dobras. A PSA corta as bordas do Card Saver com tesoura para retirar a carta, não correndo o risco de arrastar a carta para fora e criar arranhões (como faria num Toploader clássico).
  3. Coloque o pacote entre pedaços de papelão estruturado, passe fita-cola em volta e envie para a sede deles (muitos colecionadores no Brasil e Portugal usam empresas intermediárias de confiança que despacham em grandes lotes).

Já tem cartas com Grading no cofre?

Registe o código de certificação, a nota de 1 a 10 e a empresa autenticadora (PSA, BGS, CGC) no formulário especializado de TCG da Colecionar e acompanhe as oscilações de preço no seu painel.

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